Ela folheava recordações como quem folheia um livro. Pegava nas memórias como quem pega em velhas fotografias. Cantava músicas que mais ninguém conhecia como quem ouve um disco com baladas há já muito esquecidas...
No seu sorriso seguro adivinhavam-se inúmeros segredos que nunca contava. Nos seus olhos moravam confissões guardadas com carinho, que lhe foram feitas por entre lágrimas e risos, em dias e noites que faziam o mundo todo ser pequeno demais para tanto sentir.
No entanto, no dia em que partiu, ninguém notou. Sentiram, de facto, um certo desconforto na alma, uma ansiedade vaga, uma certa saudade de algo que não sabiam definir.
Até ao dia em que, eles próprios, necessitaram partilhar uma recordação, evocar uma memória, falar de uma canção feita pelas suas almas... Quando descobriram que já lá não estava quem ouvia os seus segredos e que não iam poder voltar a confessar coisas que seriam inconfessáveis a qualquer outra pessoa...
Foi nesse dia que aprenderam o significado da palavra eternidade.

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